Existe um pacto de perdão nesse país para absolver tudo que o povo branco faz”, diz a doutora Bárbara Carine sobre a prisão de Tainá Sousa
A prisão da influenciadora maranhense Tainá Sousa, determinada na última sexta-feira (1º), começa a ganhar projeção nacional e provocar reações em diversos segmentos da sociedade civil. O caso, que já era alvo de intensa mobilização nas redes sociais, agora é tema de manifestações de intelectuais, educadores e ativistas reconhecidos nacionalmente.
Entre as vozes que se levantaram contra o que tem sido classificado como prisão arbitrária e seletiva, está a da professora doutora Bárbara Carine, docente da Universidade Federal da Bahia (UFBA), escritora, idealizadora da Escola Maria Felipa e vencedora do Prêmio Jabuti Educação 2024.
Com mais de 628 mil seguidores no Instagram, Bárbara é uma das principais referências do país no debate sobre educação antirracista, direitos humanos e liberdade religiosa.
Em suas redes, a professora falou da situação que Tainá Sousa está vivenciando. Com uma lucidez firme e contundente, a escritora ratificou que existe um pacto de perdão nesse país para absolver tudo que o povo branco faz, que é silencioso, secular e institucional. Um pacto que ignora a escravidão, silencia o genocídio indígena, e normaliza a dominação branca, e que sabe perdoar, seja o desvio, a fraude ou a ostentação, desde que venha da pele certa”, pontuou.
Ainda segundo Carine, a situação da Tainá é um exemplo claro que vivemos em um país onde o “pau que dá em Chico definitivamente não é o mesmo que dá em Francisco”. Resumidamente, a fala reflete o que todos sabemos, digo, normalmente punido é o CPF de quem tem a pele preta. O nome arrastado pelo escândalo é o da mulher negra, da mãe solo, da filha do terreiro, da influenciadora de favela.
A comparação do tratamento dispensado à maranhense Tainá, pobre advinda da periferia, é bem diferente do que foi dado a Virgínia Fonseca, por exemplo, também foi observado por Carine em sua postagem.
“Do outro lado, temos Virginia Fonseca, acusada de fazer propaganda de plataformas ilegais de apostas. O que aconteceu com ela? Nada. Está nas redes sociais, rindo, passeando com as amigas, gravando vídeos patrocinados. Por quê? Porque é branca e goza dos privilégios sociais do pacto.
Com Virginia, nada pegou”, finalizou.


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